Coletânea de provas e exercícios de interpretação de texto
O estudo traz uma
releitura da vida
"Dos
5 aos 14 anos, morei com minha avó Julia, em Mecejana, no Ceará. Eu morava numa
casinha de palha, a 10 quilômetros da casa do meu pai. Ficava numa capoeira.
Minha
avó era uma pessoa muito inteligente, capaz de decorar um livro inteiro de
cordel apenas de ouvir a história umas duas vezes. Como ela não sabia ler, meu
pai lia para
ela,
e ela me contava as histórias. Ou as cantava em forma de cantoria, como os
repentistas. Foi com ela que aprendi os rudimentos do cristianismo. Ela tinha
um catecismo feito de papel-cuchê, com umas ilustrações belíssimas da Capela
Sistina, que mostrava desde a Criação até o Apocalipse, o fim do mundo. O livro
não tinha escrita, só ilustração. Era feito para analfabetos. Minha avó dizia
que no Ceará havia padres, freiras e tudo isso. No meu imaginário de criança,
ao ouvir tudo isso, eu comecei a dizer que, quando eu crescesse, seria freira.
Todas as vezes que eu dizia isso, ela me aconselhava a estudar. Dizia que
freira não podia ser analfabeta. E cresci com esse conselho. Quando fiquei
doente, resolvi cuidar da minha saúde e ser freira. Fui para um convento, onde fiquei
dois anos e oito meses. Foi assim que comecei a estudar. Para ser freira, eu
tinha de aprender a ler. Eu tinha 16 anos e meio quando fui para Rio Branco
para ser freira. E continuo tentando me curar do analfabetismo até hoje.
Analfabeto é também quem não consegue fazer uma leitura em relação aos tempos
que está vivendo, quem não consegue ler os valores que se quer reforçar ou
outros que a gente precisa mudar. Enfim, a alfabetização é um processo contínuo;
é dar outra significação à vida."
Marina
Silva, 51 anos, acreana,
1. . O trecho “Era
feito para analfabetos “ está relacionado a(o):
a) ilustrações
belíssimas
b) histórias
c) cristianismo
d) catecismo
e) o livro
2. “Analfabeto é
também quem não consegue fazer uma leitura em relação aos tempos que está
vivendo, quem não consegue ler os valores que se quer reforçar ou outros que
a gente precisa
mudar.”
Pela leitura do
texto podemos concluir que para a autora, ser analfabeto:
a) É não saber
ler, escrever nem contar.
b) É um grande
empecilho para ser freira.
c) É algo bem mais
amplo e abrangente que o simples conhecimentos dos códigos a língua
d) É uma maneira
de conseguir entender e fazer uma leitura crítica de seu próprio tempo e mudar seus
valores.
e) É um conselho
importante a ser seguido. No caso dela, dado por sua avó que era analfabeta.
Prova para
Oficial de Defensoria – DP-SP, organizada pela VUNESP.
1. “Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer
sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As
Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era
um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente
acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte
e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria
esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas
me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo.
Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa.
Não me mandou entrar.
Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra
menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí
devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua
a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife.
Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo
mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria
era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa,
com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda
não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como
mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte” com ela ia se
repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei.”
(FELICIDADE CLANDESTINA, Clarice Lispector).
De acordo com o
texto, classifique as afirmações abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F).
I. Há uma diferença
social entre as duas personagens.
II. A narradora é
filha do dono da livraria.
III. A esperança de
ler o livro fez a amizade entre as duas meninas.
IV. Morar em um
sobrado é sinal de inferioridade social.
V. “Plano secreto” e
“tortura chinesa” funcionam como sinônimos no texto.
São verdadeiras:
A) Apenas a II, a III
e a V
B) Apenas a I, a IV e
a V
C) Apenas a I, a II e
a V
D) Apenas a II, a IV
e a V
2. No trecho “Era um livro grosso, meu Deus, era um livro
para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o.” (FELICIDADE CLANDESTINA,
Clarice Lispector), fica evidente:
A) Gradação de
sentimentos da narradora.
B) Seqüência de fatos
vividos no passado.
C) Descaso da
narradora com a leitura.
D) Descrição física
do livro.
3. Na prosa intimista,
mesclam-se fatos e opiniões. Nos fragmentos abaixo, extraídos do conto O grande passeio (Felicidade clandestina), assinale a alternativa que contém apenas
fato.
A.
“Era
uma velha sequinha que, doce e obstinada, não parecia compreender que estava só
no mundo.”
B.
Mocinha
nascera no Maranhão, onde sempre vivera
C.
“Pôs-se
então a comer, absorta, com o mesmo ar de fastio que os gringos do Maranhão
têm.”
D.
“A
estrada era mais bonita que o Rio de Janeiro, e subia muito.”
4. Leia o primeiro
parágrafo da crônica A repartição dos
pães e assinale a alternativa incorreta.
Era sábado e estávamos convidados para o
almoço de obrigação. Mas cada um de nós gostava demais de sábado para gastá-lo
com quem não queríamos. Cada um fora alguma vez feliz e ficara com a marca do
desejo. Eu, eu queria tudo. E nós ali presos, como se nosso trem tivesse descarrilado
e fôssemos obrigados a pousar entre estranhos. Ninguém ali me queria, eu não
queria a ninguém. Quanto a meu sábado – que fora da janela se balançava em
acácias e sombras – eu preferia, a gastá-lo mal, fechá-lo na mão dura, onde eu
o amarfanhava como a um lenço. À espera do almoço, bebíamos sem prazer, à saúde
do ressentimento: amanhã já seria domingo. Não é com você que eu quero, dizia
nosso olhar sem umidade, e soprávamos devagar a fumaça do cigarro seco. A
avareza de não repartir o sábado ia pouco a pouco roendo e avançando como
ferrugem, até que qualquer alegria seria um insulto à alegria maior.
(LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro:
Rocco, 1998.)
A.
O
trecho em questão revela características do estilo de Clarice Lispector, tais como:
narrativa concentrada no espaço mental das personagens; despreocupação em
descrever fisicamente as personagens e nomeá-las; importância secundária do
enredo.
B.
A
personagem narradora parece traduzir o que a autora dizia sobre ela mesma: mais
que uma escritora, era uma “sentidora”, porque registrava em palavras aquilo
que sentia.
C. O emprego dos pronomes eu, nós
e você causa uma impressão de
sentimento coletivo em relação ao sábado desperdiçado pelas personagens naquele
momento e lugar.
D. Em
“cada um fora alguma vez
feliz” e “que fora da janela” as palavras grifadas são homônimas
homógrafas e pertencem a mesma classe gramatical.
5. Leia o texto para responder à questão:
“ Apesar de
achar que o carnaval era meu, meu, eu dele pouco participava. Apenas deixavam-me
ficar até às onze horas ao pé da escada do sobrado onde morávamos, para ver os
outros se divertirem. Ganhava um lança-perfume e um saco de confete, que
economizava para os três dias. Tinha medo das
máscaras por suspeitar que o rosto humano também fosse uma. Nunca me
fantasiavam, pois a preocupação era com minha mãe doente. Mas uma de minhas
irmãs enrolava meus cabelos lisos, pintava minha boca de batom e passava ruge
no meu rosto. Mas houve um carnaval diferente, quando a mãe de uma amiga minha resolveu fantasiar a filha com o
figurino Rosa. Boquiaberta, assistia a fantasia tomar forma, na qual as folhas
de papel crepom nem de longe lembravam as pétalas da flor, mesmo assim era a
fantasia mais bela que já vira. Como sobrou material, a mãe da menina resolveu
fazer uma fantasia para mim também. Quase arrebentei de felicidade. Só os
preparativos já me deixavam tonta de alegria. Não agüentava tanta ansiedade.”
(Restos de Carnaval,
Felicidade Clandestina – Clarice Lispector).
Sobre o fragmento
lido e os demais contos de Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, só NÃO
é correto afirmar
que:
A) sua narrativa não
é linear, pois a ênfase está na subjetividade e no inconsciente expostos numa
prosa introspectiva.
B) a denominação dos
personagens e a referência à paisagem, em que os fatos ocorrem, são prioridades nos textos da autora.
C) o fluxo da
consciência e a liberação das idéias revelam a vivência psicológica das
personagens.
D) predomina o tempo
psicológico, visto que é o fluxo do pensamento das personagens que importa na narrativa.
E) suas personagens
descobrem-se num mundo absurdo; tal descoberta dá-se normalmente diante de um
fato inusitado, pelo menos para a personagem.
Gabarito1b; 2a; 3b; 4d; 5b
A Rua
Adelino Magalhães
Ah! sim, um despejo, aquilo!
Lépido boêmio em farrapos e de rotíssimo boné à
cabeça, isso talvez tu compreendas: que, quando se é pobre, não se pode pagar:
e que quando não se pode pagar...tem-se de sofrer qualquer coisa que se não sabe
o que é, que se não sabe até aonde vai...
Vingança da miséria – a miséria desses trastes
desengonçados e sujos, desses cacarecos a desestetizar, como uma mazela odienta,
a serena reta orgulhosa da rua, flanqueada de caprichadas arquiteturas...
Os miseráveis talvez não pensem – inconsciente
vingança – nessa vingança!
Talvez na casa alheia já comecem a sofrer os covardes
vexames de amigos, - já cochichem com os olhos a verdade duríssima dessa nova e
mais dolorosa miséria, e talvez as crianças choraminguem de fome; e talvez, no
íntimo, choraminguem todos de saudade!
De saudade choraminguem de sua velha cama; de sua
mesa sem uma perna; de sua bacia já em furos; de seu lavatório de sardento
espelho amarelado e de sua antiga moringa, sem gargalo – que essa, pelos menos,
se não fosse o pavoroso afã da debandada, poderiam ter trazido...
Miséria! Os filósofos te suportam porque... não te
conhecem!
QUESTÕES:
01) Depreende-se do texto que não é símbolo material
de miséria:
(A) moringa sem gargalo;
(B) mesa capenga;
(C) cama desconjuntada;
(D) bacia furada;
(E) reta serena.
02) A causa mais íntima e profunda do choro das
crianças seria(m):
(A) a saudade;
(B) os vexames dos amigos;
(C) a verdade duríssima;
(D) os filósofos;
(E) as caprichadas arquiteturas.
03) “...caprichadas arquiteturas...” são:
(A) barracos;
(B) palacetes;
(C) as ruas serenas;
(D) os trastes desengonçados e sujos;
(E) cacarecos desestetizantes.
04) “De saudade choraminguem de sua velha cama”. As
partículas “de”, duas vezes presentes nesse enunciado, denotam respectivamente:
(A) causa e agente do sentimento;
(B) posse e causa;
(C) meio e objeto do sentimento;
(D) causa e objeto do sentimento;
(E) causa e instrumento.
05) O adjetivo “andrajoso” aplica-se com perfeição
ao boêmio, principalmente por
causa dos dois seguintes termos:
(A) lépido e boné;
(B) boêmio e farrapo;
(C) farrapos e rotíssimo;
(D) farrapos e cabeça;
(E) lépido e cabeça.
06) Em função do título do texto e seu próprio estilo
narrativo, o Autor era, no momento do despejo:
(A) um pobre miserável e desocupado;
(B) um político influente e aproveitador;
(C) um simples transeunte ocasional;
(D) um jornalista sedento de sensacionalismo;
(E) um sádico espectador.
07) Pelo texto, percebemos que o lavatório é:
(A) antigo e manchado;
(B) enfeitado de gravuras;
(C) pintado de amarelo;
(D) sujo, embora novo;
(E) pobre e inútil.
08) A vingança da miséria consiste em:
(A) propiciar os covardes vexames de amigos;
(B) quebrar a serenidade e o orgulho da imponente
rua;
(C) desestetizar os trastes desengonçados e sujos;
(D) flanquear as ruas de caprichosas arquiteturas;
(E) provocar choro nas crianças.
09) “...os covardes vexames de amigos...” consistem
em:
(A) suportarem a miséria;
(B) choramingarem de fome e de saudade;
(C) sentirem-se intrusos em casa alheia;
(D) possuírem bacia furada e moringas sem gargalo;
(E) desestetizarem com seus trastes a serenidade da
rua.
10) As palavras iniciais do texto são dirigidas:
(A) à rua;
(B) aos despejados;
(C) às crianças;
(D) ao próprio Autor: é um monólogo.
(E) ao boêmio.
Gabarito: 1e; 2a; 3e; 4c; 5c; 6c; 7a; 8b; 9a; 10e.
Stents
medicamentosos podem trazer mais benefícios que os comuns
Era sábado e estávamos convidados para o
almoço de obrigação. Mas cada um de nós gostava demais de sábado para gastá-lo
com quem não queríamos. Cada um fora alguma vez feliz e ficara com a marca do
desejo. Eu, eu queria tudo. E nós ali presos, como se nosso trem tivesse descarrilado
e fôssemos obrigados a pousar entre estranhos. Ninguém ali me queria, eu não
queria a ninguém. Quanto a meu sábado – que fora da janela se balançava em
acácias e sombras – eu preferia, a gastá-lo mal, fechá-lo na mão dura, onde eu
o amarfanhava como a um lenço. À espera do almoço, bebíamos sem prazer, à saúde
do ressentimento: amanhã já seria domingo. Não é com você que eu quero, dizia
nosso olhar sem umidade, e soprávamos devagar a fumaça do cigarro seco. A
avareza de não repartir o sábado ia pouco a pouco roendo e avançando como
ferrugem, até que qualquer alegria seria um insulto à alegria maior.Pesquisas desfazem má impressão deixada por dados anteriores.Uso de estratégia diminui necessidade de novas intervenções. Luis Fernando Correia
Usina Nuclear no Nordeste
Por que sentimos mais dor no frio?
A psicologia
evolutiva diz algo parecido com o que sua mãe diria: "É pra você
aprender" por Nathália
Braga
Gabarito -1.b-2.a-3.c-4.c - 5.d-6.d
Efeito cascata
O
aquecimento global já é uma realidade da qual não se pode escapar. Se, de
repente, por um passe de mágica, o mundo deixasse de jogar gás carbônico e
outros gases do efeito estufa na atmosfera, ainda assim o clima ficaria mais
quente. A prova está mais evidente no Pólo Norte, mas também em outras regiões
do planeta, assoladas por inundações, furacões, secas e outros fenômenos
trágicos. Os efeitos se ampliam como se fossem cascata. A segunda parte do
relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), divulgada
também no ano passado, detalha isso.
O
derretimento do gelo polar, por exemplo, não é apenas uma curiosidade
paisagística. Tanto no Ártico como na Antártica, o fenômeno provoca o aumento
do nível do mar — uma das piores consequências do aquecimento global. Os
oceanos já subiram 17 centímetros no último século, provocando mais erosão e
ressacas em cidades litorâneas. Com meio metro de elevação, calculam cientistas
brasileiros, 100 metros de praia seriam consumidos no nordeste brasileiro.
Ilhas-nações do oceano Pacífico e países baixos como a Holanda ou regiões como
o delta do Ganges, em Bangladesh, seriam inundados.
Todo
mundo se lembra do furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans, nos Estados
Unidos, em 2005, e expôs o despreparo do país mais poderoso do planeta para
enfrentar a fúria dos ventos e do oceano. Dias depois, a costa
do Golfo do México se viu às voltas com outro furacão, chamado Rita, causador
de prejuízos bilionários, especialmente na indústria
petrolífera do litoral do Texas. No mesmo ano, uma
das piores secas se abateu sobre a bacia amazônica. Imagens familiares de rios
caudalosos foram substituídas por um deserto, semeado de peixes mortos e barcos
abandonados.
Os dois fenômenos tiveram a mesma origem: um aquecimento
anormal das águas do Atlântico. Mais calor na superfície do oceano significou
um aumento de vapor d’água na
atmosfera — ou mais combustível para furacões. As
águas aquecidas do Atlântico afetaram o regime dos ventos que sopram do Caribe
para a América do Sul e normalmente trazem umidade para a Amazônia. O resultado
foi a tragédia que se seguiu, debitada na conta das mudanças climáticas
resultantes do aquecimento global.
(Guia
do Estudante, p. 190, Ed. Abril, 2009)
1. - Qual
das situações abaixo melhor explica o sentido da expressão “efeito cascata”,
utilizada no texto?
a) A ampliação de fenômenos naturais trágicos em
várias regiões do planeta decorrentes do aquecimento global.
b) A emissão desmesurada de gás carbônico e outros
gases, causadores do efeito estufa na atmosfera.
c) O aquecimento anormal das águas do Atlântico,
fator que desencadeou o surgimento de furacões.
d) O derretimento do gelo polar, fenômeno que
provoca o aumento do nível do mar.
2. - Considerando as informações contidas no segundo parágrafo
do texto Efeito cascata, assinale a alternativa que completa corretamente o período abaixo.
Tanto no Ártico como na Antártica, o derretimento
do gelo polar
a) é uma das piores consequências do aquecimento
global.
b) oferece um belo espetáculo paisagístico, apesar
de ser um dos principais agentes do aquecimento global.
c) é mais um elo preocupante dentro de uma cadeia
de eventos que podem resultar em consequências ainda mais sérias.
d) pode provocar a elevação do nível do mar nas
praias do nordeste brasileiro em até cem metros.
3. - No
último parágrafo do texto, o autor faz uma referência a dois fenômenos que
tiveram a mesma origem: um aquecimento anormal das águas do Atlântico. São
eles:
a) a inundação das Ilhas-nações do oceano Pacífico
e países baixos, como a Holanda, e o deserto semeado de peixes mortos e barcos
abandonados na bacia amazônica.
b) o furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans, e o
furacão Rita, que causou prejuízos bilionários, especialmente na indústria
petrolífera do litoral do Texas.
c) a erosão e as ressacas em cidades litorâneas,
provocadas pelo aumento do volume de água nos oceanos.
d) a seca que se abateu na Amazônia e o
derretimento do gelo polar no Ártico e na Antártica.
4. -
Assinale a alternativa em que, de acordo com o texto, o primeiro elemento não é causa
do segundo.
a) derretimento do gelo polar — aumento do nível do
mar
b) aquecimento anormal das águas do Atlântico —
furacões
c) elevação dos oceanos — erosão e ressacas em
cidades litorâneas
d) aquecimento global — emissão de gás carbônico e
outros gases na atmosfera
Gabarito -1.a-2.c-3.b4.d
A seda verde da China


Sobre os perigos da leitura
(Rubem Alves, www.cuidardoser.com.br. Adaptado)
Sobre os perigos da leitura
Leia o texto para responder às próximas 3 questões.
(TJ/SP – 2010 – VUNESP)
Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer esse entra, esse não entra é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante. Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!”. [...]
A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre o que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah, isso não lhes tinha sido ensinado!
Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes.
01 - De acordo com o texto, os candidatos
(A) não tinham assimilado suas leituras.
(B) só conheciam o pensamento alheio.
(C) tinham projetos de pesquisa deficientes.
(D) tinham perfeito autocontrole.
(E) ficavam em fila, esperando a vez.
02 - O autor entende que os candidatos deveriam
(A) ter opiniões próprias.
(B) ler os textos requeridos.
(C) não ter treinamento escolar.
(D) refletir sobre o vazio.
(E) ter mais equilíbrio.
03 - A expressão “um vazio imenso” (3.º parágrafo) refere-se a
(A) candidatos.
(B) pânico.
(C) eles.
(D) reação.
(E) esse campo.
Gabarito: 1.b -2.a-3.e
Estará o Google nos tornando estúpidos?
Em 2008, Nicholas Carr assinou, na revista The Atlantic, o
polêmico artigo "Estará o Google nos tornando estúpidos?" O texto
ganhou a capa da revista e, desde sua publicação,encontra-se entre os mais
lidos de seu website. O autor nos brinda agora com The Shallows: What the
internet is doing with our brains, um livro instrutivo e provocativo, que
dosa linguagem fluida com a melhor tradição dos livros de disseminação
científica. Novas tecnologias costumam provocar incerteza e medo.
O frenesi hipertextual da internet, com seus múltiplos e incessantes
estímulos, adestra nossa habilidade de tomar pequenas decisões. Saltamos textos
e imagens, traçando um caminho errático pelas páginas eletrônicas. No entanto,
esse ganho se dá à custa da perda da capacidade de alimentar nossa memória de
longa duração e estabelecer raciocínios mais sofisticados. Carr menciona a
dificuldade que muitos de nós, depois de anos de exposição à internet, agora
experimentam diante de textos mais longos e elaborados: as sensações de impaciência e de sonolência, com base em
estudos científicos sobre o impacto da internet no cérebro humano. Segundo o autor,
quando navegamos na rede, "entramos em um ambiente que promove uma leitura
apressada, rasa e distraída, e um aprendizado superficial."O resistente camelo
O camelo não é um animal amigável nem se importa com os seres humanos. Mas, para os povos do deserto, é um animal extremamente importante.
Leonora e Arthur Hornblow
O MOTOBOY E OS FOGOS DE ARTIFÍCIO
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INTERPRETAÇÃO DE TIRINHAS
expressões faciais, comunica ao leitor reações de
daqueles do primeiro quadrinho.
não formando uma sequência.
a) Apesar de tratar-se de um texto essencialmente extra-verbal, sendo a comunicação verbal entre as personagens
irrelevante para o entendimento da tirinha.
b) O humor do texto está na descrições das cenas.
c) O último quadrinho mostra criticidade da personagem diante do que vê, apesar de sua inocência.
d) Trata-se de um texto argumentativo do gênero tirinha.
e)n.d.a.
b) Ela não gostar de pulôveres.
c) Ela acreditar que, ao fazer tricô, sua mãe poderia construir um bebê.
d) Ela não acreditar que a personagem da novela construirá um bebê fazendo tricô.
e) todas as alternativas estão corretas
4. O terceiro quadrinho apresenta falas da personagem da televisão. Sobre esse quadrinho, é CORRETO afirmar:
a) A cena implícita seria perfeitamente visual ainda que não tivesse tido os outros dois quadrinhos anteriores.
b) A repetição dos vocativos só mostra o quanto o personagem da tv estava descontrolado.
c) A contundência de sinais de pontuação indica uma fala carregada de alegria e afetuosidade.
d) O locutor da fala da tv descobre que terá um bebê apenas porque sua interlocutora está fazendo tricô.
Interpretação de texto literário, letra de música
Texto sobre a Amazônia
Um dos resultados da política de derrubada da floresta para a formação de pastagens foi a criação de imensas propriedades rurais com baixa produtividade e geração de poucos empregos. De acordo com o último Censo Agropecuário do IBGE, as propriedades com área maior do que 2.000 hectares, na Amazônia, correspondem a apenas 1,6% do número total de estabelecimentos rurais da região, mas abrangem 56% da área total ocupada. É uma concentração de terra anacrônica, que vai contra tudo o que já se aprendeu sobre o valor social da terra e a necessidade de aproveitar racionalmente os recursos naturais.
A pequena propriedade, se bem administrada, dá mais lucro e gera muito mais empregos. Um estudo feito por agrônomos da USP mostrou, por exemplo, que o extrativismo da castanha numa pequena área na região de Xapuri, no Acre, gerou remuneração de até 48 reais por dia para os trabalhadores, muito superior aos 6 reais por dia obtidos com a produção de arroz, milho e feijão nas áreas desmatadas. E isso sem derrubar uma só árvore da floresta. Mais uma prova de que a floresta vale muito mais em pé do que derrubada e queimada.
O conhecimento dos pontos fracos e da potencialidade da floresta é, certamente, a única maneira de explorá-la sem destruí-la. Isso fica claro quando se analisa o potencial da biodiversidade da floresta. Estima-se que a Amazônia esconda 10.000 substâncias que no futuro terão grande valor para as indústrias química e farmacêutica. Segundo dados da Empresa Brasileira de Biotecnologia, bastaria o Brasil assegurar a propriedade de 100 patentes para ganhar até um bilhão de dólares por ano com a comercialização de produtos.
Além disso, ninguém mais defende que toda presença do homem branco precisa ser eliminada da floresta, como se chegou a afirmar no passado. Mesmo a idéia de criar bolsões de floresta cercados a cadeado desapareceu, evoluindo para o conceito de corredores ecológicos, com diversos graus de presença humana, de acordo com as características do lugar. A nova visão abriu várias linhas de pesquisa sobre como explorar a floresta com a presença do homem civilizado. E uma opção mais evidente é a do ecoturismo, que cresce no mundo todo. Só na Amazônia, o ecoturismo poderia render 13 bilhões de dólares por ano se a floresta tiver a infra-estrutura necessária. Os chamados "hotéis de selva", que hoje estão concentrados principalmente às margens do rio Negro, nas proximidades de Manaus, atraem cada vez mais turistas estrangeiros e são a maior prova de que o turismo pode ajudar o desenvolvimento da floresta de forma sustentável. Mais uma vez, fica provado que a floresta em pé vale muito mais do que no chão.
(Adaptado de Superinteressante, especial Ecologia, dezembro de 2001, p. 56-59)
1. Conclui-se do texto que o futuro da Amazônia deverá
(A) encontrar-se na exploração, até mesmo por laboratórios internacionais, de seus recursos naturais.
(B) estar na realidade comercial de seus produtos, extremamente valorizados nos outros países, especialmente os europeus.
(C)) basear-se na enorme possibilidade de aproveitamento de seus recursos, tendo em vista sua biodiversidade.
(D) situar-se num grande número de propriedades rurais de criação de gado, pois o cultivo de grãos é pouco produtivo.
(E) respeitar a necessidade de ocupação de sua vasta área, por populações originárias de outras regiões, com atividades diferenciadas.
2. A ideia em torno da qual se desenvolve o texto é:
(A)) A floresta vale mais em pé do que derrubada e queimada.
(B) A comercialização de produtos da floresta rende divisas para o Brasil.
(C) O homem branco precisa conquistar plenamente a Amazônia.
(D) Comunidades indígenas deveriam tornar-se as legítimas proprietárias da Amazônia.
(E) O turismo é a única possibilidade de obtenção de rendimentos na região.
3. É uma concentração de terra anacrônica, que vai contra tudo o que já se aprendeu... (final do 1o parágrafo) A opinião acima baseia-se
(A) no pequeno lucro oferecido aos proprietários dos rebanhos, em consequência da dificuldade em manter as áreas de pastagens.
(B) no fato de que o extrativismo de sementes das árvores da floresta rende bem mais aos moradores do que o cultivo de produtos agrícolas.
(C) na noção de que manter a floresta intocada é o melhor para a região, apesar dos evidentes prejuízos econômicos resultantes desse fato.
(D)) no baixo aproveitamento das áreas desmatadas da floresta, com o fim dos recursos naturais e pequeno número de empregos gerados.
(E) no reduzido número de habitantes envolvidos em alguma atividade econômica, em relação à enorme extensão geográfica da região.
4. É correto afirmar que, considerando-se o contexto, corredores ecológicos são
(A) pedaços equivalentes aos antigos bolsões intocados da floresta.
(B)) trechos com presença humana controlada, em defesa do ecossistema.
(C) locais sem qualquer interferência ou presença humana.
(D) regiões destinadas apenas ao ecoturismo internacional.
(E) locais devidamente preparados para atender ao turismo interno.
03 14:46
5. E isso sem derrubar uma só árvore da floresta. (7a e 8ª linhas do 2o parágrafo)
O pronome grifado acima refere-se, no texto,
(A) ao aumento das áreas desmatadas.
(B) ao maior número de empregos.
(C) à existência de pequenas propriedades.
(D) ao desenvolvimento de estudos na região.
(E)) à maior remuneração dos trabalhadores.
Gabarito 1.c- 2.a-3.d-4.b-5.e
Para Maria da Graça
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
(...)
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história da gente. (...)
A sozinhez ( Esquece essa palavra que inventei agora sem querer ) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. (...)
Somos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.(...)
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou a Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”.
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?”
É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe com a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
(...)
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita; Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo (...). O camundongo que expulsamos ontem passou a ser um terrível rinoceronte. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. (...)
Por fim: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. (...) Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.
(Paulo Mendes Campos)
01. A partir do oferecimento do livro “Alice no País das Maravilhas” a Maria da Graça , menina que acaba de completar quinze anos, o narrador cita passagens da obra e infere possíveis interpretações. É possível afirmar corretamente sobre a seguinte passagem: “o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte”
a) as palavras estão empregadas em seu sentido literal, significando que temos a capacidade de enfrentar os problemas na proporção em que se apresentam.
b) o autor faz uso do sentido denotativo das palavras, passando a idéia de que algumas vezes não sabemos discernir os grandes dos pequenos problemas.
c) a conotação está presente, e, uma possível interpretação é a de que nem sempre mensuramos corretamente os nossos problemas.
d) no sentido figurado, o trecho significa que, no mundo animal, nem sempre o mais forte vence.
e) o uso do sentido conotativo justifica-se pelo caráter informativo do texto.
02. A linguagem desempenha determinadas funções de acordo com a intenção do emissor. Do segundo ao quinto parágrafo, o narrador usa uma linguagem cheia de imperativos e vocativos. A função da linguagem predominante neste caso é:
a) emotiva
b) informativa
c) apelativa
d) poética
e) metalingüística
03. Ao empregar a palavra “sozinhez” destacada no texto, o autor faz uso de um(a) :
a) arcaísmo
b) neologismo
c) polissemia
d) antítese
e) polissíndeto
04. A idéia contida na passagem destacada: “Pois viver é falar de corda em casa de enforcado”, também está contida em qual das alternativas?
a) pagar com a mesma moeda
b) colocar o dedo na ferida
c) pular de galho em galho
d) colher o que planta
e) entrar na chuva para se molhar
05. Considere as afirmativas:
I - Na passagem “prepara-te para a visita do monstro”, a palavra “monstro” refere-se a milagres.
II - No trecho “Os homens vivem apostando corrida” está no sentido figurado.
III - No último parágrafo, o termo “Maria da Graça”, é um vocativo.
Marcar a opção CORRETA:
a) Apenas I
b) Apenas I e II
c) Apenas II
d) Apenas II e III
e) Apenas III
Gabarito:1.c-2.c-3.b-4.b-5.d
A mulher do vizinho
(...)
A sozinhez ( Esquece essa palavra que inventei agora sem querer ) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. (...)e) Apenas III
Contaram-me que, na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército, morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco.
O delegado resolveu passar uma chamada no
homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.
O sueco era tímido, meio descuidado no
vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande
fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem
recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o
que o delegado tinha
a dizer-lhe.
O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:
− O senhor
pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que
quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe
que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada
EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é
ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso
aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura
lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram
incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o
senhor.
Tudo isso com voz pausada, reclinado para
trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com
delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:
− Era tudo que o senhor tinha a
dizer a meu marido?
O delegado
apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
− Pois então fique sabendo que
eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus
filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que viesse falar
comigo, pois o senhor também está nos incomodando.
E fique
sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um
coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?
Estarrecido, o delegado só teve forças para
engolir em seco e balbuciar humildemente:
− Da ativa, minha senhora?
E ante a
confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:
− Da ativa, Motinha! Sai dessa...
(Fernando Sabino. A mulher do
vizinho. Rio de Janeiro: Record, 1991).
1. A temática principal do conto é
(A) a relação conturbada entre
estrangeiros ilegais e as autoridades constituídas.
(B) o funcionamento das patentes
militares do exército brasileiro.
(C) a falta de educação das crianças da
época.
(D) o abuso de poder, de maneira a
reafirmar as autoridades constituídas.
(E) o rígido cumprimento das leis por
parte dos cidadãos.
_________________________________________________________
2. No texto,
(A) o julgamento apressado do delegado
deveu-se, entre outras razões, à aparência humilde do sueco.
(B) a reação do delegado é adequada ao
prejuízo material causado pelo jogo de bola das crianças.
(C) o delegado muda seu julgamento ao
perceber a polidez demonstrada pelas atitudes do sueco.
(D) o autor desenvolve uma crítica à
educação contemporânea, pautada no comportamento das crianças.
(E) a mulher esclarece que o general
mencionado no 1º parágrafo é seu pai,
com a mesma delicadeza de seu marido.
_________________________________________________________
3. Depreende-se corretamente do texto
que o delegado
(A) torna-se acanhado diante da filha
de um general, embora se mostrasse prepotente de início.
(B) encontra na figura do escrivão seu
último recurso para resolver o problema.
(C) espera com sarcasmo pela
intervenção da esposa do sueco.
(D) não se importa com diferenças
hierárquicas por seu caráter constante.
(E) usa a expressão latina “dura lex!” a fim de demonstrar
sua imparcialidade.
1.d – 2.a-3-a
Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:
O homem energético
Imagine uma cidade antiga, sem energia elétrica. Vamos passear por ela, à noite. As ruas completamente escuras. Com um pouco de sorte, poderá haver um luar agradável, permitindo enxergar o contorno das casas e a torre da igreja.
Parece uma cidade fictícia, mas não é.
B. uma cidade sem eletricidade não proporciona o conforto de hoje.
C. um paulistano de hoje, nem imagina sua cidade sem eletricidade.
D. a energia elétrica resolveu todos os problemas dos paulistanos.
E. as fontes de energia são a salvação do homem de hoje.
Questões de interpretação (interdisciplinar: texto-história-sociologia)
Texto I
Texto II
a) foram o fator decisivo no desenvolvimento dos latifúndios coloniais.
b) colaboravam com má vontade na caça e na pesca.
c) não gostavam de atividades rotineiras.
d) não colaboraram com a indústria extrativa.
e) levavam uma vida sedentária.
2. “Trabalho acurado” (l. 6) é o mesmo que:
a) trabalho apressado
b) trabalho aprimorado
c) trabalho lento
d) trabalho especial
e) trabalho duro
3. Na expressão “tendência espontânea” (/. 7), temos uma(a):
a) ambiguidade
b) cacofonia
c) neologismo
d) redundância
e) arcaísmo
4. Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
a) os portugueses
b) os negros
c) os índios
d) tanto os índios quanto os negros
e) a miscigenação de portugueses e índios
5. Pelo visto, os antigos moradores da terra não possuíam muito (a):
a) disposição
b) responsabilidade
c) inteligência
d) paciência
e) orgulho
Questões com trecho de Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
a) de um texto jornalístico
b) de um texto religioso
c) de um texto científico
d) de um texto autobiográfico
e) de um texto teatral
2. Para o autor-personagem, é menos comum:
a) começar um livro por seu nascimento.
b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte.
c) começar um livro por sua morte.
d) não começar um livro por sua morte.
e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte.
3. Deduz-se do texto que o autor-personagem:
a) está morrendo.
b) já morreu.
c) não quer morrer.
d) não vai morrer.
e) renasceu.
4. A semelhança entre o autor e Moisés é que ambos:
a) escreveram livros.
b) se preocupam com a vida e a morte.
c) não foram compreendidos.
d) valorizam a morte.
e) falam sobre suas mortes.
5. A diferença capital entre o autor e Moisés é que:
a) o autor fala da morte; Moisés, da vida.
b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso.
c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte.
d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte.
e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés.
O problema ecológico
(A) a vida neste planeta.
(B) a qualidade do espaço aéreo.
(C) o que pensam os extraterrestres.
(D) o seu prestígio no mundo.
(E) os seres de outro planeta.
2) Para o autor, a humanidade:
(A) demonstra ser muito inteligente.
(B) ouve as palavras do cientista.
(C) age contra sua própria existência.
(D) preserva os recursos naturais.
(E) valoriza a existência sadia.
3) Da maneira como o assunto é tratado no Texto I, é correto afirmar que o meio ambiente está degradado porque:
(A) a destruição é inevitável.
(B) a civilização o está destruindo.
(C) a humanidade preserva sua existência.
(D) as guerras são o principal agente da destruição.
(E) os recursos para mantê-lo não são suficientes.
4) A afirmação: “Essas são palavras de um renomado cientista americano.” (l. 4 – 5) quer dizer que o cientista é:
(A) inimigo.
(B) velho.
(C) estranho.
(D) famoso.
(E) desconhecido.
5) Se o homem cuidar da natureza _______ mais saúde. A forma verbal que completa corretamente a lacuna é:
(A) teve.
(B) tivera.
(C) têm.
(D) tinha.
(E) terá.
Texto
2. C
3. B
4. D
5. E





































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ResponderExcluirParabéns pelos textos escolhidos! Ótimo trabalho.
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