O Uniforme Invisível: Como a postura na sala de
aula molda o pensamento
(Igor Arraes)
A sala de aula é um laboratório corporal, já
que se trata de um ambiente controlado em que os alunos se manter posicionados
corporalmente de acordo com as normas de cada escola. Corpo e mente estão intrinsecamente
associados, por isso a linguagem corporal na escola diz respeito também ao comportamento
social resultante das relações de poder, assim como afirma Foucaut: "Le
geste d'écrire est un produit de la discipline scolaire.", isso ocorre porque
os alunos se veem obrigados a adotar uma linguagem corporal, anulando traços de
individualidade.
A naturalidade da linguagem
corporal é parte da identidade, da personalidade do aluno, pois cada indivíduo
carrega consigo marcas culturais e preferências pessoais que compõe um sopa de
informações essênciais à percepção de individualidade. Tal naturalidade é desconstruída
pela disciplina escolar à medida que se impõem padrões de corporeidade cujo
objetivo é o controle e a vigilância, por isso, “"L'école se saisit du
corps, lui interdit de se manifester, ou le neutralise." ( a família,
ateliê cultural, modela a linguagem do corpo. A escola responsabiliza-se por
ele, proíbe-lhe a manifestação, ou neutraliza-a”, Pujade-Renaud ( 1990, p. 93)
O condicionamento corporal é
uma limitação mental, pois a imposição comportamental influencia na percepção
de mundo, cuja leitura também será delimitada pelo espaço físico psicológico
temporal da sala de aula. Obviamente, todo contexto de imposições afeta o
raciocínio limitando-o às exigências regenciais. Assim, o pensamento veste a
roupa da obediência.
Referências
FOUCAULT, Michel. Vigiar e
punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes,
1975. (Ou a edição que você tiver em mãos, mas esta é a padrão).
PUJADE-RENAUD, Claude. A
linguagem do silêncio. Tradução de L. Guimarães. São Paulo: Berit, 1990.
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